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Possibilidades de Carreira Após a Revalidação

As possibilidades de carreira aqui são um pouquinho diferentes do Brasil. As pessoas não tem tanto estímulo para seguir a carreira pública porque os salários são muito melhores na prática privada.


A maioria dos estudantes opta pela prática privada. As vagas mais concorridas estão em BigLaw, que são os maiores escritórios do mundo em termos de faturamento, que tem reconhecimento internacional, alta reputação, e que pagam salários muito mais altos que qualquer outro empregador. Esses escritórios estão geralmente localizados na região da Bay Street em Toronto, mas nem toda Bay Street firm é uma BigLaw. Algumas são law firms regionais de boa reputação, mas que são consideradas mid-sized. Além disso, existem as BigLaws nacionais (Canadenses) e as globais (que estão em diversos países do mundo e tem escritório aqui também).


Para vocês terem uma ideia, o salário de um advogado de primeiro ano, que acabou de concluir o curso e trabalha em BigLaw é hoje (2022) de 130 mil dólares por ano, padronizado entre escritórios desse mesmo porte – todos pagam a mesma coisa para garantir que os melhores funcionários fiquem, que eles não fiquem pulando de um escritório para o outro em busca de melhores salários. Além disso, também pagam um bônus de 10% a 25% por ano. Então são mais ou menos 41 mil reais por mês de salário para um advogado que acabou de se formar, mais bônus anual de 10 a 25%. Os salários também aumentam entre 20 e 25 mil dólares por ano, todo ano. Mas esses escritórios são também muito exigentes e tem todo um estilo de vida envolvido. Geralmente eles cobram cargas horárias muito altas, tem um nível altíssimo de exigência de desempenho e de dedicação.


Depois disso vem os Mid-Sized, que também costumam ter o salário padronizado, mas que pagam em torno de 20 a 40 mil dólares por ano a menos, em média, que os BigLaws. São escritórios regionais, de boa reputação, mas os BigLaws são nacionais ou globais e faturam bem mais. Eles exigem um pouco menos horas de dedicação que os BigLaws, mas ainda assim são bastante horas.


E depois as small firms ou solo pratitioners. Uma firma pequena é a que tem até 10 advogados (a partir de 11 é considerada mid-sized), e o solo practitioner é o autônomo, o advogado que trabalha sozinho. Nas firmas pequenas não tem muito padrão de salário, mas costuma ser bem menor. Eu já vi algumas oferencendo entre 50 e 70 mil de salário inicial, o que é metade ou menos do que um BigLaw paga. Então vocês conseguem ver o porque as vagas de BigLaw são tão disputadas.


A advocacia pública aqui geralmente atrai pessoas que realmente querem servir o público e que tem vocação pra isso. Os salários são bons, mas não chegam nem perto dos BigLaws e mid-sized. Como a concorrência e o prestígio são altos, os mesmos advogados poderiam tranquilamente concorrer às vagas em um BigLaw, mas preferem a carreira pública. É realmente vocacional. Um advogado público de primeiro ano recebe em torno de 90 mil por ano e o salário aumenta bem mais devagarzinho. Para receber os 130 mil que os advogados de primeiro ano de BigLaw ganham, um advogado público demoraria em torno de 5 anos de prática.


Também não é possível seguir a carreira da magistratura, por exemplo, sem ter se dedicado à advocacia por, pelo menos, 10 anos. Isso é um dos requisitos para se candidatar ao cargo, que aqui é mais político - o juiz é eleito.


Além disso, temos também os in-house lawyers, que são advogados que trabalham no departamento jurídico de empresas. Aqui existem alguns advogados que iniciam a carreira in-house, o que não é ideal nem comum, mas acontece, porque geralmente as empresas querem que você atue primeiro na prática privada, tenha bastante experiência geral, para depois ir para in-house e trabalhar só com os problemas específicos daquela indústria e daquela empresa. Os salários também não são muito altos, mas as horas de trabalho são bem mais tranquilas. Geralmente das 9 da manhã às 5 da tarde, com férias e final de semana garantidos. Quem começa a carreira in-house ganha entre 70 e 90 mil por ano no primeiro ano de carreira. Porque o salário inicial não é tão alto, não tão atrativo, quem quer trabalhar in-house, costuma passar primeiro pelos BigLaws. Se o advogado já tem uma certa

experiência, de uns 3 ou 4 anos de BigLaw, com aquele reconhecimento e status de BigLaw, ele vai trabalhar in house depois de alguns anos de prática, e aí os salários serão bem melhores. Ele vai pra in-house por volta do terceiro ou quarto ano de prática, com salário que agora já estaria em torno de 200 mil - mas fica estacionado ali por bastante tempo. Não aumenta todo ano e tanto quanto em BigLaw. Isso é um movimento muito comum aqui. O pessoal de BigLaw se cansa, tem burnout, e vai para um departamento jurídico de uma empresa, que às vezes é até um cliente do escritório, buscando uma vida mais equilibrada, por volta do terceiro ou quarto ano de prática.


Outra possibilidade é a área acadêmica, de pesquisa e magistério. Geralmente os professores de direito aqui não são advogados, juízes nem tem outras profissões. Eles não praticam a advocacia. Eles são exclusivamente professores e pesquisadores em tempo integral. Isso porque os empregos de prática privada, principalmente, tomam mesmo todo o tempo, inclusive as noites e finais de semana, e tem já no contrato que o advogado não pode exercer nenhuma outra atividade. A dedicação é exclusiva. Então as aulas são realmente muito mais teóricas. Os professores ganham um salário médio, comparável com os escritórios mid-sized ou advogados públicos, iniciando por volta de 90 a 110 mil por ano.


Existem alguns professores que são advogados e que dão aulas, mas eles não são professores titulares, com grade garantida e escritório na universidade. Aqui a gente chama esses titulares de "professors". Enquanto que os advogados praticantes que dão aulas, são chamados de lecturers, ou palestrantes, e dão aulas mais esporádicas e mais práticas.



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